As Pessoas Têm de Ver Para Crer

Não tem tempo para ler? Agora pode ouvir.


O investimento imobiliário em Portugal está cada vez maior, e as previsões são ainda mais otimistas. Tendo assistido e representado vários investidores nos últimos meses, é seguro admitir que grande parte do foco de investimento imobiliário tem sido feito à volta de tudo o que envolve o cliente internacional. Ou seja, desde estudantes que procuram estudar em Portugal, a nómadas digitas, ou até simplesmente pessoas que escolhem Portugal como o seu “escritório” - uma vez que as suas profissões lhes permitem trabalhar à distância, seja onde for.

Como tal, ativos de hotelaria, residencial e todos os “novos” conceitos deste mercado, como é o caso do co-living e o build to rent, têm demonstrado serem espetaculares oportunidades para capitalizar num mercado que parece não ter limites no que toca à sua expansão. No entanto, temos reparado que para além do facto de Portugal estar cada vez mais divulgado ao mundo, não só a nível de destino, como também em termos de investimento, ainda notamos alguma reticência por parte de alguns players internacionais. Isto é algo que é normal acontecer, especialmente num mercado cuja popularidade ainda é, efetivamente, muito recente. Por outro lado, acreditamos que não é justo nem correto analisar o track record português baseando-se num curto espaço temporal. O fenómeno de Portugal deverá ser um estudo de caso especial, e esta semana procurámos abordar este tópico numa vertente de: as pessoas têm que vir cá para perceber o que se está a passar.

Edifícios de escritórios

Fotografia por Sean Pollock em Unsplash

No decurso do último ano, apesar das grandes dificuldades e incertezas do mercado, reparámos que uma das tendências consequentes das bruscas mudanças sentidas por todos os setores, a análise das oportunidades de investimento adotou uma abordagem ainda mais contabilística e pragmática. Isto seria sempre algo expectável de acontecer, uma vez que ninguém se podia ter preparado para um fenómeno de tal natureza. Como tal, passámos ouvir várias vezes as palavras: “neste momento estamos numa estratégia de holding, monitorizando de perto como o mercado se está a comportar e que previsões se avistam a curto, médio e longo prazo”. O que ninguém podia ter previsto foi precisamente a rapidez e intensidade do bounce-back do mercado após os programas de vacinação de população estarem já em estágios avançados, proporcionando um retorno à normalidade muito mais rápido, e para todos os efeitos, mais previsível – comparando com o resto do mundo.

Edifícios de habitação

Fotografia por Grant Lemons em Unsplash

Estivemos à conversa do Director Sénior da GRI - Thiago Alves, que nos prestou uma visita ao nosso escritório, onde podemos trocar algumas impressões de behind the scenes do mercado. De uma forma muito simples, o retorno do interesse no investimento em Portugal voltou em alta, e com ele vêm as pressões dos fundos de investimento para alocar capital e cumprir os seus guidelines propostos até ao fim do último quarter anual. Ou seja, estamos a falar de cerca de 30 novos hotéis que irão abrir até ao final do ano, outros tantos edifícios de escritórios com os conceitos de workplace pós-pandemia, ativos residenciais e também de logística. Curiosamente, poucos negócios se estão a fechar à data da publicação deste artigo, e a razão está na hesitação dos players.

Contudo, nutriu-se na nossa conversa um sentimento unânime: quando começarem a fechar-se os negócios, irá ser uma onda de investimento sem precedentes, e de estilo relâmpago.