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Perspetivas Imobiliárias por
TOTE SER

A TOTE SER decidiu criar esta série para que nos possa conhecer um pouco melhor. Aqui, abordaremos todos os assuntos relacionados com o mercado imobiliário - desde investimento, arquitetura, tendências e a nossa opinião sobre as mais recentes notícias.

Teremos também várias personalidades do setor imobiliário juntando-se a nós, proporcionando conteúdo altamente dinâmico que irá com certeza enriquecer a sua expertise no mercado.

Aqui pode ouvir através do player do Spotify:

Ou ver através do player do YouTube (legendado em inglês):


Ou ainda e se preferir, ler a transcrição do podcast:

Episódio 02: Uma Abordagem Não Tradicional na Arquitetura

Miguel Real: Olá viva, o meu nome é Miguel Real. Este é o segundo podcast da TOTE SER. Queria desde já agradecer-vos pelo apoio, pelo suporte no primeiro, foi realmente espetacular, o primeiro foi para falarmos sobre aquilo que fazemos, quais são as nossas áreas de operação e este vai ser mais dedicado à arquitetura. E hoje comigo, tenho o prazer de ter aqui o arquiteto CEO Helder Pereira Coelho e o arquiteto Miguel Meira. É um prazer estar convosco. Como é que estão?

Helder Pereira Coelho: Tudo ótimo!

Miguel Meira: Tudo bom!

Helder Pereira Coelho: Muito obrigado pelo convite.

Miguel Real: Hoje está um dia espetacular. Estamos na sala de reuniões que é simplesmente magnífica e lá está, faz todo o sentido estarmos aqui já que hoje vamos falar de arquitetura. Eu queria começar este podcast por fazer uma breve introdução aos nossos seguidores. Como é que começou o vosso percurso na arquitetura, onde começou e o que é que vos levou a fazer isto?

Helder Pereira Coelho: Bem a mim, para começar, eu para além da arquitetura, tenho uma segunda paixão que se interliga com a outra, que é a parte da psicologia e o desenvolvimento pessoal. São dois grandes interesses que tenho. São coisas pelas quais sempre pesquisei muito, sempre investiguei muito e portanto, o foco é sempre o bem-estar do ser humano, é tornar, ou pelo menos contribuir com o mais possível para que a pessoa se sinta feliz, que a pessoa se sinta realizada, para que a pessoa se sinta realmente com um estatuto. Digamos, que a arquitetura lhe possa dar um status mais elevado e portanto, o foco é sempre esse, é o bem-estar de qualquer um de nós. Eu vejo sempre a arquitetura como a imaginar-me, eu e o meu colega, vemos sempre a arquitetura imaginando-nos a viver nesse espaço e portanto, fazemos as coisas como se tivéssemos mesmo que lá morar. A partir daí tudo nasce e a partir daí as coisas vão surgindo e portanto, quero que aqueles espaços possam trazer-nos uma mais-valia para nos sentirmos melhor, e às vezes podem nem serem espaços que à partida parecem não ter potencial nenhum. Aliás, é isso que nos dá realmente os grandes desafios e o que nos dá a grande satisfação, é um espaço que parece que não tem, como se costuma dizer, “ponta por onde se pegue” mas nós tentamos, e perguntamo-nos «Se só tivéssemos este espaço no mundo para viver, como é que nós conseguíamos viver aqui o melhor possível?» e realmente é isso que a mim me entusiasma. Nós trabalhamos muito em parceria, já fazemos um projeto muito em sintonia, eu digo uma coisa, o Miguel diz outra e no final estamos a criar um espaço com perspetivas sempre diferentes porque não há ninguém é igual a ninguém, embora estejamos sempre muito em sintonia como já disse. O Miguel tem a perspetiva dele, eu tenho a minha, mas sempre no sentido de incrementar a qualidade da vivência daquele espaço.

Miguel Real: E o arquiteto Miguel Meira como é que começou, qual foi o seu início na arquitetura?

Miguel Meira: Nós começamos por sentir vontade de transformar algo. Aquela sensação de que aquilo que vemos, que nos rodeia, podia ser mais forte, mais intenso nas nossas vivências... E começou assim, começámos por nos familiarizar com coisas diferentes e começámos a sentir esse gosto pela diferença e a partir daí...

Miguel Real: Como é que começou esta vossa relação? Como é que se conheceram, como é que esta parceria que já conta com quantos anos? Quase 30, não é, como é que começou?

Miguel Meira: Começou nas zonas históricas da cidade que estavam completamente abaladas por muita degradação e faltava um input de requalificação de todos esses espaços, e foi aí que nós conseguimos operar de uma forma muito casada e muito interveniente naquele momento. Contribuímos para a reabilitação da cidade nas zonas históricas em muitos edifícios e, assentámos sempre o tónico de tornar esses espaços muito apelativos, confortáveis e que os utilizadores se sentissem bem em usá-los. Ao contrário do que era antes, que se sentiam provavelmente mais desconfortáveis, com situações pouco interessantes e pouco atraentes, nós conseguimos com o uso da arquitetura mais do que isso, ou seja, conseguimos tocar nas pessoas pelo seu bem-estar em usar esses espaços e esse bem-estar começou depois a transformar-se em sofisticação. Tornar e fazer sentir as pessoas diferentes proporcionando-lhes status, a arquitetura no fundo acaba por ser um pouco isso, cria emoções.

Helder Pereira Coelho: O Real quando fez essa pergunta, porque é que a gente se encontrou. Eu nunca tinha pensado nisso, mas realmente quando nós nos conhecemos houve uma coisa em comum que tanto eu como o Miguel sentimos. Podemos dizer que no país, o Miguel é um dos arquitetos que mais percebe de construção. Normalmente os arquitetos “fogem” da obra e têm sempre preferência pelo atelier. O Miguel é o inverso, foge do atelier e gosta de estar na obra, ele sabe o que é que coordena, ele, se necessário, sabe fazer, enquanto eu sempre tive uma perspetiva muito empírica da arquitetura. No fundo acho que isto foi o que nos ligou, foi a parte prática em si, porque existem ateliers, os chamados de autor, que desenham muito mais e que se candidatam muito a concursos, e muitas vezes esses projetos não avançam por variadíssimas razões, ou porque não ganham os concursos ou porque a obra não se concretizou, como todos sabemos. Nós desenhamos menos, mas aquilo que desenhamos é sempre com o enfoque muito grande na concretização daquele projeto, são projetos muito mais focados no uso por parte do utilizador e de maneira que foi este sentido que acho que nos uniu no início, portanto, tanto eu como o Miguel estávamos muito focados na prática mais do que no desenho e de maneira que fazíamos muito a ponte entre o atelier e a obra, pois tanto estávamos na obra e depois íamos para o atelier, como estávamos no atelier e depois íamos para a obra, ou seja, estávamos sempre muito na parte mais prática. Eu penso que foi isso que nos ligou...

Miguel Meira: E passámos por muitos desafios.

Miguel Real: Mas acham que seria mais o estilo em que um estaria mais virado para a parte estética enquanto o outro conseguia compensar com a componente prática, acham que havia esta sinergia quase subconsciente, ou estavam sempre na mesma página?

Helder Pereira Coelho: Acho que isso não...

Miguel Meira: Não é bem por aí, era uma leitura quase intuitiva.

Miguel Real: Quase mesmo uma química, em que estão basicamente dentro, no mesmo pensamento.

Helder Pereira Coelho: É incrível mas é verdade, uma coisa que surge naturalmente.

Miguel Real: É química pura, é química...

Helder Pereira Coelho: É capaz...

Miguel Meira: Talvez uma forma de ver a transformação que se pode criar e..., mas lá está, isto é muito natural, surge de uma forma muito natural...

Miguel Real: E vai-se aperfeiçoando ao longo do tempo, não é? Também é uma coisa que já...

Helder Pereira Coelho: E depois também nós temos uma ideia que nos ajudou a aperfeiçoar isso. Como trabalhamos muito para investidores, ou seja, empresas, fundos e até mesmo particulares, que querem investir no imobiliário, todo o nosso projeto é sempre com o intuito da sua rentabilização, ou seja, o nosso investidor quer que façamos um projeto que não seja muito oneroso, que não seja um grande investimento de obra, mas por outro lado esse projeto tem que ter muita qualidade e por sua vez ser bastante vendável ou ser de fácil arrendamento. Neste sentido e tirando algumas exceções para algumas pessoas da nossa praça, alguns CEOs ou pessoas que realmente querem projetos mais especiais, praticamente todos os nossos projetos são basicamente para quem quer investir na área do imobiliário. Neste sentido nós conseguimos sempre ter o feedback, dado o impacto bastante positivo que aquele projeto tem nos utilizadores, ou seja, o valor da obra do nosso projeto e a rapidez com que realmente se consegue vender aquele imóvel em detrimento de outros. Portanto, se a gente conseguir que o nosso investidor venda mais caro e mais rapidamente, por exemplo um T2 na mesma zona que outros com a mesma tipologia, isso é o feedback que realmente o nosso projeto alcançou o objetivo. E em termos de arrendamento é a mesma coisa, se as pessoas estiverem dispostas a pagar um pouco mais pelo arrendamento e rapidamente se conseguir arrendar, e não é só a rapidez e não é só o preço, é também o feedback que nós temos em relação à manutenção. Nós por exemplo, sabemos sempre se as coisas se degradam mais rapidamente ou não, o que é esteticamente muito interessante mas depois não funciona, porque as pessoas estragam as paredes com as malas, no caso do turismo, tudo isso nós vamos afinando no projeto, ou seja, todos os erros que nós possamos incorrer durante todo o percurso, nós com esse feedback vamos sempre afinado o nosso projeto e por isso é que eu acho que como nós colocamos tanto em prática aquilo que nós projetamos, conseguimos agora um aperfeiçoamento do nosso projeto. Claro que são sempre situações diferentes e com o decorrer dos tempos, vamos fazendo uma arquitetura diferente, mas, tal como o Real estava a perguntar, se era estética ou se era funcionalidade, digamos que é sempre uma coisa com a outra...

Miguel Real: É um mix... – Helder Pereira Coelho: é um mix... – basicamente, não há um, nem tanto ao mar nem tanto à terra, é um bocadinho...

Helder Pereira Coelho: Exato, acho que as coisas para além de estéticas têm de ser funcionais, nós temos de ser funcionais, porque senão não resulta, senão o nosso investidor não ganha dinheiro com isso, senão o nosso investidor não vende rápido, senão não arrenda rápido e de maneira que não nos entrega mais projetos.

Miguel Real: São objetivos diferentes, são arquiteturas diferentes e uma coisa que eu por acaso sempre fui bastante entusiasta da vossa psicologia como arquitetos e que também gostaria de falar aqui, era precisamente sobre qual é que é o vosso processo de raciocínio. Imaginemos por exemplo que deparam-se agora com um edifício descurado na Baixa Lisboeta, um edifício histórico pronto antigo de arquitetura pombalina, o que é que passa pela vossa cabeça o primeiro olhar que dão ao edifício, o que é que vocês reparam, qual é que é o vosso processo de raciocínio. Para onde é que eu olho, onde é que eu vou ver...

Helder Pereira Coelho: O que é que se pode manter.

Miguel Real: O que é que se pode manter?

Helder Pereira Coelho: O que é que se pode manter de origem, o maior número de elementos, de apontamentos,

Miguel Meira: Para não descaracterizar...

Miguel Real: Para não descaracterizar, ou seja, manter o edifício fiel à sua origem, basicamente...

Helder Pereira Coelho: O mais possível... – Miguel Meira: Para não descaracterizar o edifício – o maior número de apontamentos por muito degradado que esteja, nós vamos buscar o máximo...

Miguel Meira: E a nossa intervenção terá que depois valorizar a gramática da arquitetura existente. É uma forma de poder, lá está, de dar um input de valor que depois vai-se reconhecer isso na prática quando estiver tudo pronto.

Miguel Real: E até porque é assim, há requisitos que têm de ser mantidos, não é, nomeadamente como eu sei a estrutura em madeira tal como em alguns prédios tem que acontecer e isso são sempre dados adquiridos, quer queira, quer não se queira tem que se ter. Mas é engraçado que na vossa perspetiva a conservação da originalidade do edifício é uma garante, ou pelo menos contribuiu muito para a sua constante valorização, não é e...

Miguel Meira: Naturalmente, porque estamos a falar de zonas históricas, porque tanto assim, que se ganhou nestes últimos anos um impacto extraordinário no turismo, precisamente por essa preservação e essa valorização histórica nas zonas antigas. Porque se descaracterizássemos todos esses espaços naturalmente não teríamos agora uma procura tão notória do turismo que tem no fundo dado um empurrão na nossa economia em várias áreas, sejam elas no turismo como na restauração, como em várias outras coisas. Existe um ciclo económico muito grande em torno daquilo que é a nossa força de turismo, há muitos negócios em torno disso.

Helder Pereira Coelho: Mas depois há aqui um comprometimento muito importante, não é só mantermos os apontamentos históricos, mas sim concilia-los com o maior conforto e a melhor habitabilidade dos dias de hoje, porque as pessoas não podem comprometer o seu tipo de vida e o seu modus vivendi, pela manutenção de uma coisa que é antiga, quer dizer, temos sempre de conseguir conciliar as duas coisas, as pessoas não podem ser escravas de viverem num espaço e que não é tão confortável, não é tão fluído, não é...

Miguel Real: Só porque é antigo.

Helder Pereira Coelho: Só porque é antigo, não. Há aqui um comprometimento muito importante, nós temos de conciliar as duas coisas, tanto a parte da funcionalidade e a forma como é utilizada. Atualmente os espaços, como tudo o que se mantém da origem do edifício, são coisas muito importantes, porque hoje o modo de vida é completamente distinto e aliás, há situações completamente antagónicas. É como por exemplo, haviam antigamente os primeiros projetos, anos 20 ou anos 30, em que era importante que a zona das cozinhas ficasse o mais afastado possível da zona social. Qual era o objetivo? Na altura, eram tarefas feitas por pessoas que eram assalariadas, que eram empregadas para esse tipo de tarefa e que não podiam perturbar de todo os senhores da casa ou as visitas e portanto, as cozinhas tinham que ser o mais afastado possível da zona social. Hoje em dia é exatamente o oposto, pela vida toda que nós levamos e que realmente temos cada vez menos tempo para socializar, e para estar com os amigos, as cozinhas são integradas na própria sala. O que faz todo o sentido hoje, porque as pessoas enquanto estão a preparar o jantar e no fim quando estão a levantar a mesa, tudo aquilo é feito no mesmo espaço e aproveitam todo aquele, digamos “cerimonial” ou toda aquela forma de preparação da refeição, do próprio almoço ou do próprio jantar em si, para poderem comunicar e para poderem realmente socializar.

Miguel Real: São as ocasiões em que as pessoas estão mais juntas em casa. Passam todo o dia fora e quando se juntam, a maioria das vezes é na sala de jantar para jantarem juntas e a cozinha é um outro lugar.

Miguel Meira: É uma vivência diferente, nós tivemos uns desafios muito grandes porque fomos quase os pioneiros a tentar integrar a vivência das cozinhas com a sala em espaços que ainda não tínhamos regulamentação que permitisse isso.

Helder Pereira Coelho: Cá em Portugal, já era uma coisa que se usava também lá fora, por exemplo nos Estados Unidos é um tipo de vida usual, cá é que ainda não tanto.

Miguel Meira: Tivemos uma fase muito difícil de transformar esse problema do uso dos espaços, mas conseguimos felizmente. Também tivemos o apoio da regulamentação que entretanto sofreu alteração nesse sentido e conseguimos então que as coisas fluíssem dessa forma mais tranquilas, o objetivo é sempre um pouco esse, conseguirmos ir acompanhando a evolução em que naturalmente a arquitetura tem e há-de ter sempre um conceito muito importante nos negócios, porque é uma marca que faz com que o investidor possa garantir de certa forma o seu investimento e depois também acaba por ter uma parte social que é inevitável. Portanto a arquitetura vai ditar de certa forma qual é o nosso perfil, é um pouco isso. Nós acabamos por fazer sempre um acompanhamento do perfil do nosso cliente, para conseguir introduzir-lhe ainda uma maior valorização, muitas vezes muito mais até do que ele poderia estar à espera e isso tem sido para nós uma grande satisfação na maior parte das pessoas que têm falado connosco, e estamos bastante satisfeitos.

Miguel Real: É uma garantia do sucesso.

Miguel Meira: Eu julgo que sim, não temos de ter modéstia em mostrar de facto aquilo que temos feito bem e até para muitas zonas da cidade que estavam muito desvalorizadas, portanto nós contribuímos bem ou mal, mas contribuímos.

Miguel Real: Nós no último podcast, falámos que aquilo que nós fazemos em muitas ocasiões acaba por ser quase como uma missão cívica, porque nós estamos a devolver a Lisboa, às vezes muita da sua essência que se perdeu, até porque os edifícios acabam por envelhecer, acabam por ficar descurados e nós vivemos esses edifícios. Isso leva-me a outro tema que também queria discutir com vocês. Nós tentamos manter a originalidade ao máximo mas eu também sei que conseguimos introduzir mudanças muito subtis na parte estética em que nós fizemos um retrofit dos edifícios antigos. E esta tendência que, vamos ser sinceros, tem sido posta em prática nos últimos tempos, se calhar mais nos últimos 10 anos é algo que ainda consegue manter a originalidade dos edifícios dando-lhes um toque moderno e que visa a ser também bastante intemporal. Qual é que é a vossa opinião de como é que tem sido feito este trabalho em Lisboa, acham que tem sido bem feito, acham que tem sido exagerado? Qual é que é o vosso input nesta área, isto no geral?

Miguel Meira: Eu acho que houve uma melhoria muito acentuada no que se tem desenvolvido nos últimos tempos. Até posso dizer que determinados edifícios e nós já tivemos alguns exemplos executados por nós, alguns edifícios que só pelo simples facto de se escolher uma forma cromática adequada e conseguir-se introduzir essa leitura nos elementos arquitetónicos, conseguirmos valorizar o edifício sem lhe fazer grande alteração.

Miguel Real: Só mudar a cor basicamente, isso é incrível.

Helder Pereira Coelho: Mas saber onde é que se põem as cores.

Miguel Real: Não claro, sem dúvida. Não deve ser uma coisa fácil.

Miguel Meira: Temos exemplos, exemplos na cidade.

Helder Pereira Coelho: Isto que o Miguel está a dizer é importante pois, nem tinha pensado nisso, mas isto advém da experiência, isto é como aquela história do mecânico xpto, que leva não sei quanto dinheiro para acertar no parafuso que tem de trocar, no final o dono do carro diz «Epá tu levas este dinheirão todo só por causa de um parafuso?» e ele responde «Pois está bem, mas só para saber qual é o parafuso e o parafuso que é, isto levou muitos anos». E nós somos um bocado assim, este exemplo simples como o Miguel fala, que é o estudo cromático de um edifício, que vem da nossa grande experiência de todos estes anos, nós conseguimos introduzir de forma cromática, ou seja, já estamos tão habituados a trabalhar com uma contenção muito grande a nível de investimento financeiro, que temos que saber que com pouco investimento nós temos de propor uma intervenção mínima que gaste pouco dinheiro mas para ter um resultado, ou seja, em casos extremos de limites de gestão de património, que nós fazemos de alguns clientes, eles não querem gastar dinheiro nenhum porque o que realmente querem é o retorno do rendimento do prédio e querem gastar o mínimo em termos de manutenção. Para nós o mínimo, vamos é fazer um estudo cromático e vamos pintar o prédio de tal maneira que vá dar uma sobriedade, dar uma dignidade ao edifício, mas isto parecem coisas muito simples, mas é destacar determinados elementos da fachada, é saber enfatizar determinadas partes que no cômputo geral quer dizer, a intervenção foi mínima mas depois o impacto «Epá, o que eles fizeram ao prédio» e fizemos muito pouco. Portanto é um bocado a história como o mecânico com o parafuso. Somos pressionados tanto, em fazer a melhor obra com pouco dinheiro que nós pronto...

Miguel Real: E às vezes menos é mais.

Miguel Meira: Exato!

Miguel Real: Às vezes menos é mais e a simplicidade é algo que...

Helder Pereira Coelho: E em arquitetura menos é mais...

Miguel Real: Quando se começa a inventar muito, ali a divagar, às vezes acaba por não dar um bom resultado.

Miguel Meira: No fundo acabamos por eliminar os atritos e potencializar as valências da arquitetura, fica extraordinário. Mas gostamos muito de intervenções que muitas vezes acabam por ser peculiarmente simples.

Miguel Real: É que quando está feito a gente pensa «pois realmente quem é que não sabia.»

Helder Pereira Coelho: Exato, isto é facílimo.

Miguel Real: Mas antes de fazer ninguém se lembra de como, ou aliás, não é que ninguém, mas não é toda a gente que se lembra.

Helder Pereira Coelho: E há uns que fazem de uma maneira, outros fazem de outra. Não estou a dizer que nós é que fazemos bem, nós fazemos bem como há muita gente que faz bem, mas cada um faz com a sua experiência, com o seu perfil...

Miguel Real: Claro que sim e uma coisa que se vê por acaso aqui em Lisboa também se nota muito em outras cidades europeias, grandes cidades europeias, mas que eu não posso deixar de enaltecer, isto é, óbvio que haverá sempre edifícios que não vão envelhecer tão bem quanto outros e nós vemos aqui no CBD lisboeta, há edifícios que simplesmente envelheceram de forma, não muito boa. Qual é que é o vosso take nesta situação, e o que acham que haverá daqui para a frente, isto devido à maior importância da arquitetura e do design, não só na parte turística com na parte económica e até parte de embelezamento da cidade, mas acham que haverá uma maior pressão por parte das Câmaras Municipais ou das entidades respetivas, para modernizar estes edifícios ou acham que não vai haver assim...

Miguel Meira: É assim, as Câmaras Municipais passaram por um período de grande exaustão de trabalho. Eu tenho que reconhecer que grande parte dos técnicos da câmara ficaram atolados em trabalho que eu diria mesmo, nem sequer conseguiam ver a luz a passar pela janela, porque as pastas eram tantas, que faziam um ensombramento do próprio espaço de análise. Foi uma fase muito complicada porque estavam os processos todos a entrar e não se conseguia ter pessoas suficientes para os analisar, portanto era muito difícil, mas no meio disto tudo, e aqui o importante é depois o resultado, foi bem conseguido. Conseguiu-se na verdade ter obras interessantes que surgiram no nosso panorama, na nossa cidade e temos que reconhecer que houve de facto uma melhoria. Acho que desde os técnicos até ao relacionamento que têm com os projetos, nós também começámos e contribuímos para isso, mas houve também o reconhecimento da parte dos técnicos, da importância que se estava a fazer na cidade, e a cidade recuperou muito, temos hoje uma coqueluche.

Miguel Real: Não há dúvida...

Helder Pereira Coelho: Mas é isso que o Real estava a dizer, na arquitetura, perdurar com a qualidade no tempo, tem um papel muito importante da DGPC, que tem uma atitude, quanto a mim hoje, muito equilibrada ou seja não é fundamentalista. Nós também não podemos ser fundamentalistas a ponto de querer preservar todas as coisas, de tal forma que depois não é possível haver investimento, ou seja, complicar de maneira as coisas serem tão caras que depois ninguém quer realmente fazer um investimento. Mas por outro lado também não temos que ser destituídos completamente daquilo que marca os tempos, a história, daquilo que marca toda a nossa arquitetura e de maneira que tem de haver um papel de equilíbrio, portanto, no fundo não ser fundamentalista. Esse papel de equilíbrio eu acho que é muito importante, manter realmente elementos e manter realmente a história, aquilo que realmente é importante e que dá valor à nossa arquitetura, mas por outro lado, também que o processo ande com o que é importante para o investimento, temos que ser racionais criando um ponto de equilíbrio em que faça com que realmente as pessoas tenham interesse em investir e por outro lado também mantenham essa qualidade e essa carga histórica que tem os nossos edifícios.

Miguel Real: É algo que é muito falado e acho que todos podemos concordar, que no nosso país tem sido das maiores limitações a nível do investimento, é precisamente e como o arquiteto dizia, simplesmente a quantidade de tempo que é preciso para as coisas serem aprovadas. Isso já é algo que é inegável, é um grande defeito nosso, do nosso país, mas até que ponto é que isso impacta o investimento? Qual é que é a vossa opinião, será assim tão mal como dizem?

Miguel Meira: Eu acho que existe sempre um lado que é o da morosidade, mas depois, se formos ver no seu conjunto geral, no resultado final provavelmente o cenário acaba por ser bom. E depois também é assim, há que reorientar os investimentos para introduzi-los em áreas que são compatíveis com aquilo que se pretende. O que nós estamos a notar recentemente é que as linhas de investidores que temos, pretendem fazer investimentos a uma escala macro e que até lhes interessa ter áreas diferentes e que já não terão tantas restrições como aquelas nas zonas históricas. Portanto, nós aí conseguimos ajudar para que essas intervenções possam ser desenvolvidas já de outra maneira e conseguir até ter resultados muito mais aliciantes, mas nada disto passa por cima das instituições que contarão sempre com o nosso apoio, ou seja, tudo aquilo que vamos propor terá sempre de ser de acordo com aquilo que são as regras gerais. Não vamos inventar regras quando elas já estão definidas.

Helder Pereira Coelho: Temos é de ser mais criativos, para as ultrapassar.

Miguel Meira: Temos é de facto de introduzir os mecanismos que nos parecem ser possíveis de utilizar para que possa haver dessa parte de investimento um retorno muito simpático. É isso que é o nosso propósito também, nós nunca podemos ter só uma visão de arquitetos, também temos de ter uma visão financeira, porque tudo isto só funciona com muito dinheiro.

Helder Pereira Coelho: É a sustentabilidade financeira, os projetos têm de ser sustentáveis.

Miguel Real: É verdade, eu por acaso gostaria agora de fazer uma pergunta, isto realmente é algo que nunca falámos antes. Haverá alguma figura ou personalidade de arquitetura que vos inspiram, ou inspirou no início da vossa carreira?

Helder Pereira Coelho: Temos vários, mas não sei, uns numas áreas, outros noutras mas também não quero estar a pôr assim.

Miguel Meira: O Foster.

Helder Pereira Coelho: Sim, o Norman Foster é realmente uma referência, há outros também, mas...

Miguel Meira: Mas isto depois depende, há coisas fantásticas na arquitetura.

Miguel Real: Os arquitetos são artistas também, haverá sempre uma admiração, ou vamos buscar estilos aqui e ali, mas cada um tem o seu estilo, cada um tem a sua tela, acredito que seja um bocado assim.

Helder Pereira Coelho: Como não há ninguém igual, também na arquitetura não há nenhuma obra igual, podemos gostar, mas que os projetos sejam idênticos, acho que não. Há determinadas escolas sim que se percebe, mas eu acho que no nosso caso não nos identificamos assim com nenhuma em especial ou com nenhum em especial, digo eu, pelo menos que eu me tenha apercebido, também nunca tenho estado a...

Miguel Real: É só assim snitched de um e de outro e vão agarrando...

Helder Pereira Coelho: Sim, dizem que ninguém é criativo não é, ou a criação anda de mãos dadas com a memória, tem a ver com as nossas memórias e a conjugação de memórias...

Miguel Meira: Sim muitas vezes com o que nos é familiar, lá está, não há nada como se vivenciar uma solução que é diferente para nós sentirmos que nos começamos a identificar com isso e começamos a sentir que isso é mesmo aquilo que nós queremos fazer.

Helder Pereira Coelho: Pois isso é muito importante, aliás é isso mesmo, é experienciar os espaços, sejam eles nossos ou não, perceber o que é que realmente nós poderíamos mudar, por isso é muito importante vivermos os espaços projetados pelos colegas. Realmente sentir na prática e vivenciar esses espaços e ver onde poderiam ser corrigidos, eu acho que isso é importante sim. Nós somos muito empíricos, é tudo muito prático, experimentar e ver se aquilo é funcional, se é friendly, se não é. É muito bonito mas depois cansa as pessoas... aliás, é uma característica que descobrimos casuisticamente há pouco tempo, que valoriza os nossos investidores e que acaba por lhes dar mais valor financeiramente que é, os nossos projetos/espaços perduram muito no tempo, mas não foi intencional, calhou. Fazemos os nossos passos habituais na conceção do projeto, mas depois temos vários utilizadores na área do arrendamento, casais estrangeiros americanos e europeus, que chegam de repente aos nossos espaços, que têm para aí 10 ou 15 anos, e acham que são projetos com dois, três, quatro anos e não acreditam. Os nossos colegas dizem «não, isto já está feito há 10/15 anos» e eles não acreditam dizendo «mas isto é uma coisa que parece que foi feito agora», e claro não foi intencional, quer dizer, foi mas digamos que é um subproduto do nosso projeto. Mas isto em termos de valorização para quem é o dono dos espaços, para os investidores, é muito importante, porque realmente continuam com o valor ao longo dos anos, porque há coisas muito fantásticas mas depois tem, são prémios, são coisas muito fantásticas mas depois passam de moda, mudam e portanto, depois aquilo tem que haver uma nova intervenção e realmente é uma coisa que é consequência só do trabalho mas não é intencional. Eu pessoalmente não tenho essa intenção, eles resultam assim e depois realmente parece que estão muito atuais durante muitos anos, é bom para o investidor e nós ficamos muito contentes, mas não é intencional. É uma característica do nosso projeto.

Miguel Meira: É como sentimos...

Helder Pereira Coelho: Talvez, não sei...

Miguel Real: É uma coisa sensorial, acontece que funciona não é, mas isto parte muito do gosto, se me sinto bem aqui há-de haver alguém que também se sinta assim e o que acontece é que esse sentimento acaba por ressonar (ressoar) com os nossos clientes e pronto o feedback é bom, o feedback é ótimo.

Miguel Meira: Aliás tudo o que fazemos é como se estivéssemos a fazer para nós em primeiro lugar. Eu acho que passa um bocado por aí...

Helder Pereira Coelho: Pois, talvez seja e também porque não são assim realmente espaços muito marcantes, se calhar são espaços um bocadinho mais cleans. O clean é se calhar consensual não sei, não são coisas muito marcantes muito tipo «Epá, agora o impacto brutal», depois a pessoa cansa e já não gosta passado uns tempos, talvez seja por isso, não sei, nunca pensei, sei que realmente o feedback é este, agora...

Miguel Meira: Funciona lindamente...

Helder Pereira Coelho: Por isso é que as pessoas acham «epá este projeto é bestial», falam naquilo como se fosse uma coisa acabada. Há pouco tempo, os nossos colegas que vão mostrar, «Epá não, isto já tem 10/12 anos», pronto e temos muitas vezes essa conversa, esse feedback, e portanto, ficamos contentes não é, ainda nos rimos um bocado com isso.

Miguel Real: É bom!

Miguel Meira: Sim...

Helder Pereira Coelho: Mas não é intencional.

Miguel Real: Pronto! Eu queria falar aqui um bocadinho com vocês, isto também devido ao meu trabalho dos Capital Markets, isto é uma coisa que vocês certamente me vão confirmar, que é precisamente, o quanto as periferias tiveram agora um foco, um holofote nelas devido à pandemia, ou seja, esta alavancagem resultante desta conjuntura, o que veio fazer é que as periferias começaram a ter uma afirmação muito maior e da perspetiva que eu tenho, do trabalho que tenho feito juntamente com os parceiros também dos Investidores, é que as pessoas estão a ver as periferias e a sua própria aquisição das propriedades, as suas casas, com uma abordagem muito mais direta. Obviamente que isto é sempre impactado também devido ao teletrabalho, do regime não é, que cada vez mais empresas estão a adotar, mas o que nós vemos agora é uma abordagem muito mais prática da aquisição da propriedade, ou seja, já não é preciso estarmos completamente colados a 15 minutos do centro da cidade, dos CBDs e as pessoas estão a focar-se muito mais em espaços que, seja pelo metro quadrado ser um bocado mais barato, seja por serem espaços mais abrangentes, elas querem espaços em que sejam maiores, tenham uma maior versatilidade e que se sintam melhor neles. O que é que vocês acham disso? Qual é que é a vossa opinião desta afirmação das periferias?

Helder Pereira Coelho: No meu ponto de vista, há duas coisas essenciais para que isso tenha acontecido. Para já, foi o que o Real disse, o paradigma do teletrabalho que é uma coisa que mudou completamente a nossa maneira de pensar a casa, o trabalho. Foi uma transformação, quase que diria de 180 graus, porque hoje em dia as pessoas mesmo que não façam teletrabalho atualmente ou que nunca tenham feito, acham que é perfeitamente possível e a probabilidade de um dia poderem vir a fazê-lo é enorme e neste sentido, as pessoas podem procurar um espaço mais distante, como o Real diz e muito bem, com áreas maiores e com mais espaços a céu aberto. Esse, eu acho que é o ponto fundamental. Outro ponto é o fato de termos sido abanados, como seres humanos, começarmos a ver a nossa expectativa de vida muito limitada, acho que as pessoas estão a pensar neste momento que ou gozam a vida ou então isto pode acabar de repente. Eu acho que neste sentido as pessoas estão mais dispostas a investir mais, estão dispostas a desfrutar mais e a usufruir mais daquilo que podem e portanto nesse sentido isso acontece tanto na procura de espaços na periferia, como o Real disse, assim como também nas zonas de veraneio. Neste sentido as pessoas estão dispostas a investir muito mais do que estariam antigamente ou do que estavam antigamente, antes da pandemia. Porque um dia podem vir a fazer teletrabalho na zona onde tem a casa de férias e também porque querem aproveitar a vida, pois não sabem se poderá ser mais curta do que prevíamos...

Miguel Real: Acham que isto se assemelha por exemplo, porque a nossa cultura sempre foi muito à base de nós querermos tudo ao pé umas coisas das outras. Nós queremos que o trabalho seja perto de casa, queremos que a escola dos filhos seja perto de casa e este, o famoso triângulo dourado, que seja o mais pequenino possível, porquê? Porque dá muita qualidade de vida, nós temos que fazer as nossas commutes, não é, nós temos que fazer as nossas rotinas diárias, isto vai demorar tempo, conseguimos reduzir o tempo que as fazemos, vamos ganhar mais tempo ao final do dia mais tempo para nós, mas atenção que se nós falarmos em mercados, em países como a Alemanha é perfeitamente normal que se façam 150/200 km para ir para o trabalho, as pessoas vivem nesta realidade, é essa a cultura, portanto que ninguém diz que não porque é um dado normal, acontece. Vocês acham que é possível que a mentalidade portuguesa consiga adotar esta vertente, perder este apego à proximidade das coisas ou acham...

Miguel Meira: Isto tem a ver com uma questão de escala,

Helder Pereira Coelho: Exato.

Miguel Meira: Porque por exemplo, na China as distâncias de cidades para cidades são horas e por isso mesmo existe a razão de se desenvolverem os TGVs para que essa distância seja minorada. Ora bem nós aqui não...

Helder Pereira Coelho: E a estrutura mental deles. Para eles é diferente, porque vivem numa escala diferente da nossa. Nós somos um país pequeno...

Miguel Meira: Nós somos pequenos, nós não temos provavelmente...

Helder Pereira Coelho: É como os brasileiros, é como qualquer país da Europa, quase todos são maiores que o nosso, portanto têm uma escala diferente. Como somos pequeninos, para nós tudo é uma distância enorme. É a proporção...

Miguel Real: Acham que isso vai mudar agora com o tempo devido a esta também fomentação das propriedades mais longe ou acham que se vai manter.

Miguel Meira: As mudanças são sempre boas. O importante na mudança é a nossa boa adaptação e nós podermos, nessa adaptação, configurar uma melhoria para todos os utilizadores sentirem-se bem, até provavelmente melhor do que se calhar antes. Essa transformação é que é fundamental e acho que a arquitetura contribui muito para isso. Nós por exemplo temos um projeto espetacular no Algarve com uma escala simpática e que irá provavelmente receber bem esse tipo de investimento que vai contribuir para que se possa vivenciar e trabalhar na mesma zona. Isto agora depende muito de como é que se vão criar as sinergias necessárias, criar esses compromissos e as mudanças podem ser muito boas.

Miguel Real: Eu acredito que também que há muitas condicionantes a nível económico, especialmente na qualidade de vida das pessoas. Esta está constantemente a subir, produto de ser cada vez mais uma cidade do mundo, no entanto os ordenados locais não acompanham esse, mas eu falo por mim por exemplo, eu vivo em Almada, mas eu penso muito bem adquirir uma casa no futuro, por exemplo em Palmela ou Alcochete, locais que à partida «Miguel isso é muito longe», mas vamos ver se será mesmo muito longe?

Helder Pereira Coelho: Não, porque nós podemos fazer a alteração ou o ajuste desse Triângulo Dourado que o Real estava a falar, com a ideia de trabalhar online se estivermos a trabalhar em casa e os miúdos já estiverem na escola, perto de Alcochete ou Palmela, haverá depois a questão do equipamento. Deverá haver mais crianças, haver mais pessoas nessa zona e portanto os equipamentos escolares também melhoram, e de maneira que aí consegue adaptar o Triângulo Dourado que falava, que é na mesma cidade em que está a trabalhar e a distância da sua casa, onde trabalha, à escola também será. Mesmo que não seja assim tão perto, é de fácil acesso porque tem as estradas com muito menos movimento, conseguindo-se fazer percursos maiores em menos tempo, enquanto nos grandes centros para percorrer os mesmos quilómetros, com o trânsito, vamos demorar mais tempo.

Miguel Real: Isto é algo que por acaso falámos no último artigo que publicámos. Nesse artigo faço referência a uma pessoa que dizia precisamente isso, ou seja, nos Estados Unidos por exemplo, casos como a Starbucks que nesta altura de pandemia, decidiram fechar lojas em alguns centros das cidades e abrir nas periferias e pensamos «Isso é uma estratégia que não faz sentido nenhum», mas a realidade é que as pessoas ao ficarem mais em casa o que é que vão fazer? Vão frequentar espaços mais perto das suas casas e a fomentação das periferias, vão-se desenvolver muito mais rápido. Vão ter mais restaurantes, vão ter mais espaços públicos, vão ter mais centros comerciais e este enaltecimento destas localizações vai ser proporcional.

Helder Pereira Coelho: E essas tendências não são só no nosso país é uma tendência...

Miguel Real: Em todo o mundo.

Helder Pereira Coelho: em todo mundo, é uma tendência geral, pós-pandemia. O que estamos a falar todos, é uma tendência geral, não é só para Portugal.

Miguel Real: E por acaso uma coisa que também me leva a falar neste tema é precisamente a questão dos Golden Visa, ou seja, já no ano passado ouvimos dizer que iam acabar a sua emissão em Lisboa e no Porto, isto para fomentar mais as restantes localizações de Portugal. Acham que isto vai ser positivo ou negativo? Será um tiro no pé ou será uma decisão financeira inteligente?

Miguel Meira: Eu acho que vai ser positivo no sentido em que esse é o enquadramento. Se o desenvolvimento vai passar para as periferias, então vai ser aí que se irão ter de nascer os investimentos.

Miguel Real: Mas haverá procura suficiente?

Helder Pereira Coelho: Eu acho que o Golden Visa é uma ignição para o investimento. É o ponto de arranque, só serve para os primeiros. Porque depois de virem os primeiros, os outros vêm por acréscimo. Não há melhor publicidade que o passa palavra, isto é comum a toda a gente falar nisso e de maneira que as pessoas começando a vir para cá, vão dizer que temos qualidade de vida, que foi o melhor investimento que fizeram, que valeu a pena, etc. Cada pessoa que faz isso, que faz este movimento de vir para cá, investir e morar cá, cada pessoa dessas vai transmitir isso aos familiares, aos amigos, aos colegas de trabalho, irá criar uma repercussão enorme e neste sentido eu acho que os Golden Visa servem para captar os primeiros investidores. Depois a partir daqui, os outros vêm a seguir, com ou sem Golden Visa eles vêm.

Miguel Real: Não há-de ser uma limitação...

Helder Pereira Coelho: Pode parecer à partida, que não haverá realmente tanto investimento,

Miguel Real: Mas na realidade...

Helder Pereira Coelho: ...pode tornar o processo mais lento, acredito! Se realmente continuasse a haver Golden Visa, vinham os que só tinham interesse fiscal e vinham aqueles que realmente já tinham conhecimento da qualidade de vida neste país. Mas se o Golden Visa alterar, o processo é mais lento, digamos que o processo das pessoas investirem cá, vai demorar mais tempo.

Miguel Real: Pois é realmente uma abordagem bastante interessante, até porque o investimento estrangeiro em Portugal representa uma grande percentagem, e cada vez. Por acaso um artigo muito interessante que vi a semana passada, é que cada euro investido por um estrangeiro numa casa, ao fim de 4 anos gera 7 euros para a economia. Portanto, é incrível...

Helder Pereira Coelho: E é a nossa fonte, quer dizer, não temos petróleo.

Miguel Real: Mas há aqui um mixed fealings, porque há sempre aqueles que acham isto bem, há sempre aqueles que acham isto mal.

Miguel Meira: Isso é normal.

Miguel Real: Eu acho que é normal.

Helder Pereira Coelho: Isso é sempre assim. Só não acontece quando nada acontece, quando ninguém faz, quando não se faz é que não se é criticado. Até é bom que critiquem porque demonstra que se fez alguma coisa. E nós aprendemos muitas vezes, muitas vezes não, aprendemos sempre com os nossos erros e com as coisas mal feitas, portanto há sempre um lado positivo.

Miguel Real: Eu queria fechar o Podcast, com a seguinte pergunta - na vossa opinião quais serão as tendências da arquitetura para os próximos 5 anos, as três tendências principais, três bullet points, o que vai caracterizar a arquitetura nos próximos 5 anos.

Miguel Meira: O topo máximo! Vamos entrar no luxo máximo.

Miguel Real: Luxo?

Helder Pereira Coelho: É um luxo, mas é um luxo cru. Quer dizer, vai-se abolir um bocado a maquiagem, por exemplo uma coisa que nós fazemos muito é enfatizar a parte estrutural do espaço, eu acho que isso se vai manter. Levando um bocadinho ao expoente máximo é manter realmente essa parte estrutural, que no fundo é intemporal e depois, tudo o que se acrescenta em termos de projeto é algo funcional, faz todo o sentido, não só pela parte estética. Agora, a ciência está em criar essa conjugação entre a estética e a funcionalidade.

Miguel Meira: O aumento do conforto também.

Helder Pereira Coelho: Sim, depois o resultado tem de ser conforto. O importante é o conforto das pessoas.

Miguel Real: Luxo, aumento do conforto, e a terceira?

Miguel Meira: E a saúde.

Miguel Real: Saúde...

Miguel Meira: A saúde, os espaços exteriores vão estar interligados completamente com o corpo humano.

Miguel Real: Vai ser esta conjugação entre os três.

Helder Pereira Coelho: Sim. Também a iluminação, e a ventilação transversal das casas, são dois pontos muito importantes, onde se deverá dar mais ênfase. A existência dos elementos verdes, também é muito importante.

Miguel Meira: Jardins de inverno, por exemplo.

Helder Pereira Coelho: Jardins interiores.

Miguel Meira: Dentro das habitações.

Helder Pereira Coelho: Haver muito verde, a presença do verde é muito importante. A luz, o verde e a ventilação, mais do que se faz hoje em dia, explorar ainda mais.

Miguel Real: Ou seja, amplificar essas características ...

Miguel Meira: Tem que haver espaço para todos os nichos.

Helder Pereira Coelho: Tem de se trazer a natureza para o pé de nós, isso é que eu acho que é importante, nós estarmos com a natureza.

Miguel Meira: A ligação com o nosso meio físico...

Helder Pereira Coelho: Conciliar o espaço, material com a natureza. Essa conjugação tem de ser bem trabalhada, bem projetada, para usufruirmos do tal espaço saudável.

Miguel Meira: Nós podemos mesmo ter a vantagem única de estarmos no mundo e de agradecermos por estarmos neste espaço que é fantástico, tem tudo de bom, nós temos tudo de bom.

Miguel Real: É, realmente é assim, eu por acaso já tive oportunidade de viajar muito pelo mundo, na altura, vou ser muito sincero, cada vez que ia aos Estados Unidos tinha aquela ideia que é exatamente onde eu quero viver e realmente quando se chega lá, tem-se sempre essa ideia mas quando se sai e se chega a Portugal é que voltamos a ter a noção dos fatores que nós podemos contar, temos um país seguro, um país costeiro, paisagens que vão desde serras espetaculares a praias deslumbrantes.

Helder Pereira Coelho: E temos muita natureza ainda, é que por exemplo o caso que falou dos Estados Unidos é diferente, já é tudo muito...

Miguel Real: Os Estados Unidos têm muita natureza também, só que o problema é que é tão grande que muita dela...

Helder Pereira Coelho: Sim, mas já tem muita construção, já tem muita intervenção.

Miguel Meira: A vivência das pessoas tem de começar a ser um bocadinho diferente e aí lá está, provavelmente não se pode ser, não vai ser uma receita mas, é que as pessoas têm que viver mais com a natureza, porque o viver demasiado urbano já mostrou que não é saudável e portanto tem esse...

Helder Pereira Coelho: Saudável, psicológico e fisicamente, não estamos a falar só da parte física...

Miguel Meira: ...esse lado, o nosso país tem tudo de bom, porque tem ainda muito espaço inclusivamente, tem muito território...

Helder Pereira Coelho: E é também por ser pequeno, estamos numa parte urbana, como rapidamente estamos numa zona ultra natural, selvagem, rapidamente a gente consegue estar e com características diferentes, portanto, podemos ir para a Serra da Estrela como podemos ir para uma praia.

Miguel Real: Engraçado que estávamos a falar e temos aqui o pulmão de Lisboa à nossa frente, o Monsanto com esta...

Helder Pereira Coelho: Até a nossa cidade tem essa característica, temos a presença de verde, de tanto verde, de tanto valor que se dá hoje em dia, cada vez mais, mesmo pós pandemia, acho que realçou em todos nós mais isso, a necessidade pelo contacto com a natureza e isso é que nos dá satisfação.

Miguel Meira:E o próprio planeta também sentiu isso, houve uma rápida regeneração.

Miguel Real: Diz que foi a melhor coisa que aconteceu no planeta terra.

Helder Pereira Coelho: E se nós não fizermos uma utilização abusiva da natureza as coisas vão-se reequilibrando, é só acho que não devemos fazer as coisas de uma forma tão abrupta, ter mais atenção a isso. Se tivermos mais atenção e mais cuidado, aí as coisas reequilibram-se e todos nós poderemos realmente estar muito melhores e viver muito melhor com tudo, com a intervenção humana e com a natureza.

Miguel Real: São esses os mandamentos aqui dos dois arquitetos que realmente, acho que nos dão aqui uma visão espetacular e também muito aprofundada sobre as tendências que vão funcionar, e toda esta componente adjacente da natureza conjugada com a arquitetura. Arquitetos foi um prazer tê-los aqui.

Miguel Meira: Obrigado pelo convite.

Helder Pereira Coelho: Muito obrigado Real, por ter-nos proporcionado tudo isto e ter organizado tudo isto.

Miguel Real: O prazer é meu, adoro fazer isto, não é, podermos falar aqui um bocado, partilhar aqui estas ideias e especificamente, poder também demonstrar o que é que nós sentimos, o que é que nos vai na cabeça, para os nossos seguidores que estão nas nossas plataformas e também em nome de toda a equipa, queria também agradecer-vos pelo vosso suporte e vosso apoio. Espero que tenham gostado e lá está, os nossos canais estão abertos, vocês comentem, deem-nos o vosso feedback, temos todo o prazer em conectar-nos com vocês, espero que tenham gostado, o meu nome é Miguel Real.

Miguel Meira: Obrigado.

Helder Pereira Coelho: Muito obrigado Miguel Real.


Episódio 01: O que é a TOTE SER

Miguel Real: Olá viva, o meu nome é Miguel Real, sou Chief Marketing Officer na TOTE SER e este é o nosso primeiro podcast... em que visa dar a entender um bocadinho mais sobre o que é que nós fazemos o que é que é TOTE SER e hoje tenho o prazer de estar comigo o CEO e o arquiteto Helder Pereira Coelho no qual nos vai poder explicar um bocadinho mais quais é que são as nossas áreas de operação, exatamente o que é que nós fazemos. É um prazer arquiteto como está? Tudo bem?

Helder Pereira Coelho: Obrigado! Obrigado eu, também é um prazer estar aqui...

Miguel Real: É um prazer, é um prazer - Helder Pereira Coelho: ...aqui a conversar – Arquiteto são cerca de 30 anos de operação no mercado português especialmente aqui na área de Lisboa. O que é que nos pode dizer sobre isso e mais precisamente, quem é que é a TOTE SER?

Helder Pereira Coelho: Ora bem, a TOTE SER essencialmente é uma empresa de arquitetura e... pronto aqui eu penso que há aqui dois tipos de atelier de arquitetura e... e eu posso fazer uma breve definição é que é ao... portanto, o gabinete de arquitetura que nos salta logo à atenção e aquilo que nós associamos que é o chamado, os arquitetos de assinatura, portanto são realmente gabinetes com grandes projetos, grandes ideias, tem uma componente criativa muito forte. Nós aqui o nosso caso... somos... estamos do outro lado, ou seja, somos um gabinete muito prático, somos um gabinete muito focados no utilizador, portanto na, digamos que nós trabalhamos é para o conforto e para dar as melhores condições e provocar as melhores sensações ao utilizador. Como nós também temos, e temos a noção de que realmente tudo na vida é preciso que seja sustentável, ou seja, para nós conseguirmos fazer mais projetos é preciso que o nosso projeto contribua para um investimento, que esse investimento vá ter os resultados... satisfatórios, ou além mais que satisfatórios, portanto tem que ser para além da média para nós conseguirmos ter mais clientes, os nossos clientes são chamados Investidores e portanto para terem interesse em investir e podermos fazer melhores espaços e mais espaços com melhores condições para o nosso foco que é o utilizador.

Miguel Real: Claro faz, faz todo o sentido, ou seja, esta arquitetura que nós temos, nós acabamos por ter uma arquitetura virada à rentabilidade, ou seja, normalmente tem-se a noção que a arquitetura é uma coisa cara, mas nós de certa forma mudámos o conceito em que mostrámos aos nossos clientes que a arquitetura não é cara, aliás pelo contrário, ainda nos consegue fazer resultar em rentabilidades nunca antes esperadas, não é, e os resultados realmente falam por si... e são de facto quase três décadas da operação do mercado imobiliário. Arquiteto pode-me dizer como é que tudo começou?

Helder Pereira Coelho: Portanto isto começou porque realmente havia esse objetivo de conseguir... criar as melhores condições para, como eu disse há pouco para o utilizador, portanto para a pessoa que realmente vai usufruir do espaço e... e na altura foi-nos dado um desafio, que foi portanto, no incêndio de 1988, o Incêndio do Chiado, em que foram-nos dados alguns edifícios que estavam completamente degradados, tinham sido atingidos pelo fogo, uns mais que outros e foi-nos dado o grande desafio de poder... como sabem aquilo é um projeto de, digamos - Miguel Real: Claro que sim. - de reabilitação Siza Vieira, portanto o conjunto foi Siza Vieira, depois havia vários gabinetes, várias empresas que trabalharam... portanto, e colaboraram e trabalharam em parceria no projeto e... e ali havia realmente um desafio muito grande que era, tornar aquela zona outra vez, portanto, apetecível para se viver, portanto aquela zona na altura do Chiado, na altura em que houve o incêndio era uma zona que era completamente desertificada em termos de habitação, os... o comércio, portanto também já era praticamente... não digo inexistente, existia mas tinha muito pouco dinamismo porque estávamos na altura dos arranques dos centros comerciais e o de maneira que já ninguém acreditava que voltariam as pessoas a comprar nas lojas de rua, pelo facto do incómodo das pessoas apanharem chuva apanharem trânsito e não terem sítio para onde estacionar o carro, portanto havia ali o grande desafio de podermos de criarmos condições para que as pessoas voltassem a querer morar e ter toda uma vida, digamos que, de serviços, de comércio, portanto ser um, portanto um novo centro apetecível para as pessoas viverem. E de maneira que foi-nos dado as ruínas, digamos, do... dos edifícios que foram, portanto que foram apanhados pelo incêndio e de maneira que depois cada arquiteto teve que desenvolver, portanto conforme os edifícios tinha, teve que desenvolver o seu layout de forma a realmente tornar aquilo apetecível e portanto foi assim que nós começámos.

Miguel Real: Foi assim, foi assim, não, é realmente interessante e é algo que não, sinceramente não posso deixar de falar é assim, eu acredito que isto começando nesta época logo a seguir a 1988 ou seja logo a seguir ao incêndio, por um lado acredito que grande parte da nossa operação teve como base, quase como uma missão e um dever cívico ou seja nós estávamos a reabilitar, a reconverter e a repopular, para todos os efeitos, a zona de Lisboa, zona histórica de Lisboa. O que é que me pode dizer disso Arquiteto? Isto é realmente uma missão que é não só os privilegiados para ter, não é, mas acredito que há grandes dificuldades de realmente ser bem-sucedido nela. Mas de certeza que o arquiteto que me consegue dizer quais é que são as dificuldades, não é, e por outro lado como é que nós conseguimos ter rentabilidades altas, num sítio, cuja renda atualmente é altíssima, não é, e que o mercado valorizou da forma que realmente valorizou, nestes últimos 30 anos.

Helder Pereira Coelho: Eu acho que como disse há pouco, o fundamental aqui é realmente estarmos focados nas pessoas, quem vai utilizar aqueles espaços. Primeiro nós temos que ter a noção, noção e não... para além da noção, temos que ter uma ideia muito exata e muito concreta, de quem será o tipo de... de universo de pessoas que queiram utilizar aquele espaço e também que possam utilizar aquele espaço, portanto, tenham capacidade financeira para o fazer. E... e o importante é isso, é nós conseguirmos primeiro definir bem o universo a quem nos estamos a dirigir e depois quase como... como um ator que temos saber viver naquela pele, tentar imaginar o que é que seria nós vivermos lá, acho que tudo começa por aí. E então a partir daí começa-se a desenvolver toda uma ideia que realmente faça com que as pessoas tenham com... com o resultado final tenham uma vontade muito grande de poder serem elas a utilizar aquele espaço, ou através do arrendamento, ou através da venda. O que vai fazer com que essa grande vontade que as pessoas têm pelo espaço que está, portanto, que está resolvido, estejam dispostas a pagar um pouco mais seja pelo arrendamento ou pela venda. E daí realmente conseguir um retorno muito maior para quem investiu, porque depois nós temos sempre aquela pressão realmente os Investidores apostam em nós e estão à espera que realmente aquilo que se consigam realmente um ótimo resultado que é felizmente, digamos que, pronto os nossos bons resultados tem a ver com isso, tem a ver exatamente com 30 anos a tentar e a aperfeiçoar toda uma técnica que faz com que o resultado seja cada vez, portanto, digamos que o resultado mais apurado, portanto - Miguel Real: Claro que sim - seja cada vez um resultado mais em que as pessoas se sentem felizes, vá digamos, - Miguel Real: Sem dúvida. - a utilizar aquele espaço, felizes e orgulhosos e acho que isso é que, pronto é, isso é que nos dá pronto, nos dá satisfação.

Miguel Real: É o nosso lustro, é o nosso lustro, para todos os efeitos. E realmente temos uma pergunta por acaso também é muito perguntada pelos nossos Investidores e que agora temos oportunidade também de divulgarmos ao nosso, ao nosso Podcast é: quais é que são as vantagens de trabalhar com a TOTE SER, numa ótica de investidor ou cliente investidor?

Helder Pereira Coelho: As vantagens é exatamente por isso, porque somos realmente muito práticos. Nós podemos dizer que realmente a... quase que tudo o que projetamos pomos em prática, portanto, como não temos aqueles grandes projetos artísticos, muitas das vezes têm um carácter mais formal, mas somos mais projetos de funcionalidade, como disse, para as pessoas e eu acho que essa prática é que nos distingue e é que faz, digamos, termos os resultados que temos, ou seja, nós cada projeto, cada projeto que nós fazemos, já estamos a aplicar aprendizagens que temos nos outros e não, e aprendizagens muito, digamos que muito diretas, no sentido de que nós temos uma vertente dos nossos Investidores, que depois optam pela exploração através do arrendamento e nós aí temos constantemente sempre um feedback por parte do utilizador e por parte das pessoas que fazem a gestão e que, pronto, e que realmente são responsáveis pela manutenção. E de maneira como temos sempre o feedback constante da utilização dos espaços, no próximo espaço já temos... temos esse melhoramento e portanto acho que, é essas três décadas sempre focado em realmente proporcionar o melhor ambiente, as melhores sensações, as melhores emoções e... e o orgulho da pessoa sentir que pode utilizar aquele espaço, eu acho que é isso que nos faz a diferença.

Miguel Real: Faz todo o sentido, faz todo o sentido. Algo pelo qual nós nos regemos sempre, não é, e que sempre foi o nosso lema, é o nosso investimento, a nossa política de 360°. Mas o que é que significa investir 360°? Claro que nós fazemos aquilo para o, que fazemos para os clientes tendo em conta os seus requerimentos, não é, os seus requisitos, mas a abordagem que nós temos é sempre uma abordagem muito intima, isto porquê, porque nós fazermos os trabalhos como se fossem para nós e essa ótica é muito importante, até porque até, podemos ser um bocadinho ousados, a nossa visão é uma visão boa, é uma visão que realmente resulta e tendo em conta a experiência que nós temos no mercado é uma visão vencedora. O que é que me pode definir deste investimento em 360°, Arquiteto?

Helder Pereira Coelho: O 360°, isso advém realmente de, digamos que de uma evolução que está a ter neste, está a ter, ou tem vindo a ter ao longo de todos estes anos do imobiliário, que digamos, que é um negócio que cada vez tem que ser mais apurado mais profissional, no sentido para obtermos melhores resultados. E o facto de haver uma entidade que consegue perceber quais são, digamos que, as necessidades de cada atividade interveniente, ou seja, desde a aquisição de um imóvel que a gente levanta a oportunidade de investimento e apresenta ao nosso cliente, desde a aquisição, deste conhecer todo o processo de licenciamento, de conhecer todo o, portanto toda a gestão da obra, tudo o que está envolvido em relação à obra e depois na parte da comercialização, uma entidade como nós que conhecemos realmente todas as atividades que estão inerentes ao processo, faz com que possamos otimizar todo o recurso financeiro e em termos de tempo, para podermos chegar ao fim com os menores custos possíveis, o mais rápido possível e o melhor atendimento possível.

Miguel Real: Claro! Ou seja nós somos basicamente uns advisors de uma paragem, ou seja, nós conseguimos proporcionar todos os serviços que os nossos clientes necessitam, desde o primeiro scouting inicial até, arranjar por exemplo construtores ou promotores e até efetivamente fazer a parte de reconversão e tudo a que chega até ao ponto de rentabilizar ou até mesmo vender e comercializar o ativo, o que me leva até à próxima questão, seja, qual é que é o nosso posicionamento estratégico? Qual é que é o nosso target atual e aquilo que queremos operar?

Helder Pereira Coelho: Pronto, aquilo que nós realmente, nós operamos é essencialmente por, pronto... os nossos clientes são basicamente, são os Investidores, são realmente as pessoas que podem proporcionar que tem capital que possam proporcionar que nós possamos fazer o maior número de espaços possível e... o posicionamento, é pronto a reconversão que já fizemos nós, já fazemos e pronto digamos que é... é o nosso, a nossa expertise porque é uma coisa que o fazemos, no sentido de que... daquele espaço conseguir rentabilizar ao máximo portanto otimizar um espaço em que o metro quadrado é muito caro e conseguimos dar uma utilização... normalmente fracionamos o espaço bastante mas damos sempre uma utilização que vai parecer a... que a pessoa utiliza um espaço com dimensões muito mais amplas e espaços com grandes dimensões não o sendo, e basicamente é para Investidores ou então até mesmo para clientes particulares que queiram pontualmente realmente usufruir dessas características, que temos também alguns... que realmente procuram conforto da sua casa, procuram ter um espaço com menores dimensões mas a parecer um espaço muito maior que é, digamos, que uma da, digamos uma das grandes características dos nossos espaços é isso, em metros quadrados, são poucos metros quadrados, mas... - Miguel Real: Fazemos parecer muitos, não é? - ...parecemos. Há uma sensação, a vivência de espaço parecem que têm muitos, muitos metros quadrados - Miguel Real: É uma amplitude realmente incomparável. - é pela, pela forma de layout, pela posição estratégica dos materiais utilizados e depois há uma coisa que a gente, também a gente, pronto, às vezes as pessoas não querem assumir mas... mas nós trabalhamos muito para isso. Nós trabalhamos muito para o status do utilizador agente vende mesmo status porque achamos que as pessoas têm que sentir orgulhosos têm que sentir felizes por terem conquistado a posição na vida para poderem ter espaços assim, porque realmente são espaços em localizações prime, em que o metro quadrado realmente é muito alto e espaços com uma vivência e com condições que lhes dá uma sensação de bem-estar e...

Miguel Real: É, sem dúvida. Eu acho que é importantíssimo frisar isso até porque as nossas áreas de operação também se estendem, em muitos casos a várias, a outras classes de ativos, não só à parte residencial como também à parte, por exemplo, de logística, a parte de hospitalidade, portanto é o nosso know-how estende-se a grandes áreas, grandes classes de ativos, e acha que o core que se realmente deve reter é que nós conseguimos captar os sentimentos e as sensações que se calhar nem sempre se contabiliza nesse, em outros ativos de grandes, grandes dimensões. Isto porquê? O nosso entendimento de status e de gratidão de ter este tipo de ativos por parte, do ponto de vista do cliente investidor, é de facto uma perspetiva do negócio neste caso também da mentalidade da compra que, em muitas vezes não é contabilizado e de forma errada, nós sabemos o que é que é realmente estar adquirir um andar ou um edifício na zona histórica lisboeta e o que é que realmente é preciso para cativar e encher as medidas, por assim dizer, do cliente investidor em que realmente vai ficar com uma aquisição mesmo tailor-made para ele e que realmente fica super satisfeito. Queria também agora aqui remeter um bocado à parte da arquitetura uma vez que, lá está, é um grande braço nosso e tem sido, já há muito tempo como nós sabemos, eu queria fazer-lhe uma pergunta arquiteto, é como já disse anteriormente a nossa arquitetura é virada à rentabilidade, mas isso é um... é uma perspetiva um bocadinho contraditória, uma vez que, lá está, a arquitetura normalmente tem assim uma ligação a ser mais cara a ser mais ousada mas que nem sempre pode ser uma aposta e financeiramente certa. De que forma é que a arquitetura pode ser uma excelente aposta a nível da rentabilidade de um ativo?

Helder Pereira Coelho: A arquitetura, como disse e muito bem, pronto é conotada como sendo um digamos que, uma digamos que, um requisito caro, garanto que no nosso caso não é, acaba por ser um requisito barato, sai mais barato, pela experiência que realmente nós temos a forma como colocamos os materiais, os modos por termos a experiência dos modos de construção, da forma métodos construtivos que nós aplicamos, em que conseguimos realmente ter uma rentabilidade de obra muito maior e... e depois o importante é que parece que é contraditório, mas não é, mas é quanto melhores condições nós estamos a criar para, para o utilizador mais... mais vontade tem esse utilizador de pagar mais por esse espaço como eu disse há pouco e de maneira que daí a pessoa que investiu ou como investidor que investiu no projeto e toda uma gestão de obra connosco e portanto foi... teve uma otimização de custos vai conseguir gastar menos, pelas nossas propostas de projeto e depois vai conseguir ganhar mais na venda ou no arrendamento. E para quem realmente não seja investidor vai ganhar dinheiro na mesma porque se... se recorrer para a nossa... para a própria casa o que vai acontecer é que pelas nossas sugestões que resultam de todas estas décadas de prática, de realmente de uma atitude muito empírica perante o mercado, faz com que realmente o seu imóvel fique muito mais valorizado e que no momento em que queira realmente trocar de casa, ao vender essa casa vai vender sempre essa casa muito mais cara do que venderia se fosse uma casa que não tivesse projeto e pode realmente ter depois mais capacidade económica para comprar a próxima, ou até para comprar uma outra próxima para reabilitar e recorrer a nós para criar outra vez uma grande mais-valia no... no novo imóvel se não quiser vender, no arrendamento também tem acontecido isso, porque isto o que a gente verifica nos nossos clientes é que, eles não só vendem mais caro do que, fazem o negócio mais rapidamente seja na vertente venda, como seja na vertente do arrendamento. Ou seja, as nossas casas, felizmente, são preferidas a... às outras que existem no mercado e... e deve ser por isso, porque realmente o nosso foco e a nossa preocupação está sempre baseada no utilizador. E se o utilizador estiver muito mais satisfeito, esse utilizador está muito mais disposto a pagar, mais, para realmente poder usufruir de um espaço com maior qualidade.

Miguel Real: É uma relação win-win para todos os efeitos e acho também que um grande fator decisivo da nossa arquitetura, é realmente a maneira como envelhece, tanto em muitos casos até podia ser uma arquitetura muito ousada e que até não envelhecesse da melhor forma ao longo das décadas, mas a realidade é que nós somos neutros, mas ao mesmo tempo bastante conservadores e muito sofisticados ao mesmo tempo, ou seja, aquilo que nós reparamos e que também eu sei exatamente o feedback do arquiteto, é que a performance dos nossos ativos, ela mantêm-se, ou até, valoriza muito ao longo dos anos o que em termos de lógica seria exatamente o contrário, não é, portanto, a nossa arquitetura é muito constante e muito consistente a nível de valorização e isso é realmente um fator decisivo para, para o ponto de vista do cliente investidor.

Helder Pereira Coelho: E eu confirmei isso que o Miguel acabou de dizer é exatamente a experiência que nós estamos a ter neste momento, até neste momento exato do mercado, a procura que nós estamos a ter por estrangeiros, sejam europeus, sejam norte da Europa, seja mesmo americanos, é engraçado que praticamente todos eles, se calhar alguns não se manifestam, mas há um... uma digamos que, um comentário que é comum a todos eles que é dizer «Eu não acredito que este projeto tem 12 anos, é impossível!», - Miguel Real: É, é curioso. - mas sejam americanos, sejam europeus sejam o que for, portanto que, são digamos, que culturas diferentes não é, mas todos e isso vai confirmar isso que o Miguel acabou de dizer.

Miguel Real: E estamos a falar de pessoas que estão a comentar, em que a arquitetura da sua hometown é totalmente diferente, ou seja, estamos a falar de panoramas completamente diferentes e a opinião é unânime, ou seja, isto realmente fundamenta ainda mais as qualidades e por nós não é dito, pelas nossas testemunhas é conferido, não é. Eu tinha assim, agora uma pergunta para fazer ao Arquiteto, como é que poderia descrever a TOTE SER em 3 palavras?

Helder Pereira Coelho: Hum... otimização... bem-estar... e rentabilização.

Miguel Real: Ok, (risos) é... essa realmente é muito curioso e não podia ter dito melhor e realmente é mesmo de fechar aqui fazer, deixar cair - Helder Pereira Coelho: (risos) - o microfone não é (risos), mas pronto e por hoje está tudo, creio eu, isto é apenas um podcast introdutório, este é o nosso primeiro episódio, vamos ter convidados daqui para a frente, sendo que também vão ser falados outro tipo de assuntos, mas é um prazer ter-vos cá, poderem assistir, espero que tenham gostado foi um prazer o meu nome é Miguel Real, mais uma vez, prazer foi ter o arquiteto Helder Pereira Coelho connosco.

Helder Pereira Coelho: Eu é que agradeço, a sugestão e a ideia, realmente criar tudo isto que eu não estava à espera e muito obrigado pela oportunidade que deu a toda a nossa equipa, realmente, mas é isso temos que juntos com as nossas ideias conseguir ir mais longe.

Miguel Real: É isso mesmo, é isso é que é a TOTE SER.


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