Periferias – O Paraíso Escondido


Vamos falar de sítios para viver. É seguro afirmar que o local de eleição para se viver é, para muitas pessoas, condicionado por dois tipos de habitação totalmente distintos: existem aquelas que preferem viver nos centros das grandes cidades, de forma a estar perto de tudo o que precisam – centros comerciais, locais de lazer e entretenimento, restaurantes, espaços públicos para passear – vivendo geralmente em apartamentos; depois existem aquelas que não gostam da confusão e atividade constante das metrópoles, optando assim por viver em ambientes mais relaxantes, normalmente em moradias. É importante enaltecer, no entanto, que é possível conciliar estes dois extremos sem comprometer o conceito base de cada um destes tipos de propriedade.

A realidade é que nenhuma destas duas opções é economicamente fácil de adquirir. As propriedades no centro das grandes cidades são tudo menos baratas. Mesmo que procure um T1 ou T2, os preços dessas habitações podem ir desde os 300.000€ aos 600.000€, o que as torna inacessíveis à classe média. O mesmo acontece com as moradias, mesmo fora dos grandes centros. Uma vivenda com 300 m2 irá ficar por volta dos 300.000€ - 400.000€, o que não é certamente barato. Outro fator que é importante mencionar é o processo de raciocínio do comprador de uma casa ao deparar-se com este panorama. Ponhamos as coisas assim, preferia gastar 400.000€ num T1 no Centro de Lisboa (uma casa pequena que está muito bem localizada), ou preferia gastar a mesma quantia de dinheiro numa moradia na periferia de Lisboa? É esta mesma questão que põe as pessoas a pensar, e o resultado é o que se podia esperar – a maioria das pessoas prefere ficar um pouco mais longe dos centros de forma a poder ter a maior qualidade de vida proveniente das suas habitações.

Sintra/Algueirão

Foto por Laura em Unsplash

Contudo, estes conceitos estão a mudar. É seguro dizer que a razão principal pela qual as pessoas escolhem viver perto das metrópoles é devido à necessidade de trabalhar nesses locais, uma vez que é onde a maior parte dos locais de trabalho se situam. Não obstante, 80% do processo de raciocínio na compra de uma casa resume-se no quanto tempo demora a chegar ao trabalho, e este é um fator que indiscutivelmente afeta o valor destas propriedades. A pandemia trouxe uma nova tendência que decerto irá impactar os tipos de propriedades comerciais no imobiliário, sendo esta a falta da necessidade de trabalhar nos escritórios. Trabalhar em casa revolucionou completamente a forma como as empresas trabalham, o que significa que o modelo tradicional dos escritórios como local de trabalho está a cair em desuso. Apesar de muitas atividades ainda necessitarem da presença física do staff, a realidade é que a grande maioria dos trabalhos nas metrópoles se resumem aos escritórios convencionais, exercendo atividades que muitos argumentam podem ser feitas através de casa. Isto resulta em muitas empresas adotarem este novo modelo por várias razões: em primeiro lugar, a redução de custos – desde a renda, até a eletricidade e água, e ainda ao subsídio de deslocação; em segundo lugar, a falta de investimento, uma vez que o staff pode agora ter o seu próprio “escritório”.

Baía de Cascais

Foto por Calin Stan em Unsplash

Agora, de que forma é que isto afeta a paisagem residencial? Na TOTE SER temos notado uma tendência crescente e constante em cada vez mais pessoas optarem por locais mais afastados dos grandes centros para viver. E isto acontece por várias razões. Muitas famílias podem agora escolher trabalhar através da sua casa, possibilitando poder viver em locais cada vez mais afastados das metrópoles. Isto consequentemente significa que pelo mesmo preço, conseguem adquirir propriedades de qualidade acrescida. Esta ideia de ter uma casa muito maior e um ambiente relaxado pelo mesmo preço, ou mais barato, é algo que toma conta do pensamento das pessoas todos os dias.

A TOTE SER já apoiou muitos investidores nos seus investimentos residenciais. Tem havido um interesse particular por residências na periferia de Lisboa. Mas atenção, esta não é uma tendência apenas corrente, aliás, a periferia de Lisboa está já na sua grande maioria saturada. No entanto, independentemente disso, existe uma necessidade de criação de novos projetos nestes locais de forma a capitalizar nesta tendência, compensando ao mesmo tempo com habitações de alta qualidade e espaços urbanos renovados.