Como os Investidores Estão a Reagir às Tendências de 2021


A segunda vaga da Covid-19 não ajudou ninguém. Após curtos meses de otimismo perante uma conjuntura aparentemente positiva, a recuperação económica voltou a sofrer uma quebra considerável. Desta vez, nem o começo da administração da tão esperada vacina contra o vírus conseguiu esconder a dura realidade do que irá ser a economia daqui para a frente.

Falámos há algumas semanas da possibilidade dos ativos de alto risco inundarem o mercado, sendo que seria uma consequência lógica e expectável após as classes de ativos mais dependentes da faturação (como a hotelaria e o comércio) revelarem quebras históricas. De facto, não estávamos errados. Lisa Pendergast, diretora executiva da CRE Finance Council – uma empresa de financiamento de imóveis comerciais nos EUA – aponta para os 10,2% dos empréstimos do mercado de títulos apoiados em hipotecas comerciais de quase US $600bn (CMBS) que em novembro estavam em "serviço especial", uma categoria que costuma ser a primeira fase para alívio temporário ou permanente da dívida.

Letreiro de loja aberta

Foto por Mike Petrucci em Unsplash

É certo que está abaixo do pico de 12,6% registado na crise global de 2008. Mas o volume de empréstimos problemáticos pode facilmente crescer à medida que a pandemia avança e os proprietários enfrentam as suas consequências, incluindo como a finalidade dos edifícios comerciais está a mudar.

Tendências emergentes

Não há dúvida que o ceticismo associado ao reinício do setor hoteleiro e comercial, bem como de todas as vertentes associadas a esses mercados, refletem-se na sua procura e por conseguinte no preço.

No entanto, esta é uma altura decisiva para grandes mudanças no mercado. O que isto significa é que, uma vez que a procura muda tão radicalmente, existe uma necessidade de adaptar ou converter os ativos para mais se ajustarem ao que o mercado procura. Por conseguinte, tendências como o reposicionamento de hotéis para fins residenciais, bem como escritórios e até retail, são algumas das modas que estão a iniciar um pouco por todo o mundo. No caso de Lisboa em particular, a TOTE SER tem registado um crescente número de proprietários a optarem por estas estratégias de requalificação, mudando assim totalmente o propósito inicial dos seus ativos para aquilo que efetivamente está a funcionar atualmente, nomeadamente a requalificação de hotéis para residencial.

Por outro lado, como avança um artigo da JLL, a empresa de gestão de investimentos imobiliários Maya Capital lançou em junho um novo fundo voltado para a requalificação de ativos de retail no Reino Unido. Stuart Taylor, diretor de investimentos de retail da JLL, afirma: "Os grandes proprietários de retail já estão a evoluir a sua estratégia para maximizar o valor dos ativos por meio da integração de usos alternativos, incluindo hotéis, escritórios e residências. A integração dos usos logísticos em certos ativos de retail de grande escala, ou a conversão completa desses ativos, é um próximo passo lógico e está a conduzir novas fontes de capital para o setor de retail que está cada vez mais focado no potencial de uso alternativo."

Hotel

Foto por Marten Bjork em Unsplash

A importância do impacto ambiental no imobiliário

O que em tempos foi uma vertente unanimemente valorizada mas que nunca constituiu um papel essencial no desenvolvimento e planificação dos projetos imobiliários, é possivelmente um dos fatores mais decisivos de sucesso hoje em dia. A grande razão passa pela conscientização da importância de uma pegada ambiental leve em prol da saúde do planeta. As dimensões que esta componente ganhou são de facto um estudo de caso, isto porque é algo que ganhou uma afirmação e poder incomparáveis nos últimos 10 anos.

O mercado reagiu, e os gestores de investimentos estão a examinar mais de perto as suas próprias “credenciais verdes”. Para além dos impactos a nível ambiental, é uma demonstração impressionante dos valores e missões de uma empresa que trabalha para um melhor dia de amanhã, e a realidade é que as pessoas se identificam com esse branding.

No Reino Unido, a Derwent apresentou no verão passado o seu plano para se tornar o primeiro Fundo de Investimento Imobiliário com uma taxa de carbono de 0% do Reino Unido. Além de trabalhar para limitar as suas emissões em todo o seu portfólio, a empresa está a analisar como impulsionar as suas atividades de negócios através de investimentos em eletricidade renovável e gás natural. A empresa diz que tem oportunidades de auto produção de energia renovável a partir das suas propriedades na Escócia.

Painéis solares

Foto por Zbynek Burival em Unsplash

Beth Ambrose, diretora de serviços de sustentabilidade na JLL, afirma que: "à medida que a transição para uma economia de baixo carbono avança, a distribuição de capital em estratégias sustentáveis é possível devido aos grandes avanços que estão a ser feitos tanto na gestão de edifícios como nas soluções de tecnologia usada. O dinheiro inteligente está em soluções que impulsionam a eficiência energética e reduzem custos e, ao mesmo tempo, combatem as emissões de gases de efeito estufa."

Na TOTE SER, acreditamos que a importância da componente da sustentabilidade não compromete a rentabilidade dos nossos investimentos, muito antes pelo contrário. Atualmente, como demonstra o nosso projeto "South Valley", o feedback mais frequente que recebemos foi a congratulação de ter prioritizado a componente sustentável em primeiro lugar – o que nas fazes mais embrionárias foi visto com algum ceticismo e até receio que fosse uma ideia completamente sem sentido e meramente imaginativa. Na verdade, acabou por ser a garante da maior valorização possível do projeto. Isto porque a sustentabilidade hoje em dia anda de mãos dadas com a sofisticação, qualidade, requinte e bem-estar de um espaço, e as pessoas sentem isso. Aliado à beleza paisagística do Algarve, é já uma obrigação que qualquer projeto conste de uma arquitetura paisagística que não sacrifique as qualidades tão características da beleza algarvia, por outro lado, até a valorize.