A Importância dos Espaços A+

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No decurso do ano que passou, foram documentadas as tendências emergentes no setor imobiliário. Este período foi alvo das maiores ruturas conceptuais do mercado, largamente devido ao efeito da pandemia. A pandemia acelerou algumas tendências, retardou outras, mas o ponto fulcral aqui é que deu lugar a outras tantas completamente novas que mudaram a paisagem e cultura do mercado imobiliário – provavelmente para sempre.

No entanto, esta mudança vai muito para além da simples conceptualidade adjacente a certo tipo de ativos. Na verdade, não basta os escritórios de hoje em dia serem dotados de uma componente co-working e com espaços exteriores, não basta que as casas disponham de uma grande versatilidade de usos e sejam mais funcionais, nem basta que os ativos de hotelaria constem de uma arquitetura esteticamente apelativa e funcionalmente adaptada.

Se houve algo que aprendemos com as tendências emergentes da pandemia, é a necessidade de criação de espaços de classificação A+. Toda a revolução imobiliária resultante deste acontecimento passou a ter como base a reformulação de conceitos passados, e a reinvenção de outros tantos. Este fenómeno, mais do que nunca, veio dar à arquitetura uma importância acrescida. Os espaços precisam de ser cada vez mais sofisticados, funcionais e versáteis, e sobretudo mais intemporais, modelares, etc. para que o fator saturação não exista. Uma das caraterísticas da Architecture TOTE SER é exatamente o seu carácter intemporal – o projeto perdura no tempo de tal modo que os clientes, dos nossos investidores do mercado de arrendamento, no momento do check-in não acreditam na antiguidade do projeto que por vezes têm 10, 15 ou 20 anos, julgando que se trata de obras recentes. A questão que se põe agora é precisamente como é que todas estas mudanças irão ser postas em prática?

Sala de estar, jantar e espaço exterior

Fotografia por Alberto Castillo Q. em Unsplash

De acordo com um estudo publicado entre a consultora mundialmente reconhecida JLL e a firma The Businesss of Cities, o desempenho e funcionalidade das cidades irá passar a ser mais importante do que nunca para o arranque e plena execução destas tendências. É certo que algumas cidades terão muito mais sucesso do que outras na resposta à atual crise da COVID, preparando-se para a emergência climática e capturando as oportunidades económicas e de investimento que surgem nos ciclos de recuperação. Mas por que razões apontam os dois titãs para este fator?

A resposta passa essencialmente pela Governança da Cidade - a maneira como as cidades são geridas, lideradas e orquestradas. O chamado "século das cidades" em que vivemos atualmente é, em grande medida, ditado pela forma como as cidades são governadas. Ao esticar as capacidades de governança ao limite, o COVID-19 atuará como um catalisador para separar os locais mais bem-sucedidos dos menos bem-sucedidos.

Sala de estar, com lareira

Fotografia por Jennifer Latuperisa-Andresen em Unsplash

O mesmo princípio se aplica à mentalidade e gestão dos vários tipos de ativos. No que toca aos escritórios, as empresas apercebem-se agora que podem certamente operar com menos espaço de escritórios. Mas também perceberam que precisam de um espaço de escritório melhor e mais resiliente. Os proprietários terão que se diferenciar com serviços adicionais: aqui, os escritórios 'high-end' não o serão de uma perspetiva de luxo, mas sim de conteúdo – é necessário preenchê-lo com serviços para ajudar o inquilino a ser mais produtivo, seja com soluções de sustentabilidade, bem-estar ou tecnologia digital, assim como criar espaços diferenciados, através de temáticas e de situações cénicas que provocam emoções positivas e outras vicissitudes, que os tornam em espaços preferenciais. E aqui surge a grande importância da arquitetura da sua função criativa.

Para justificar sua existência, o escritório terá que se tornar um destino com um propósito, diz David Gooderham, diretor de contas globais da WSP em Londres. "Se as pessoas continuarem a ser o elemento impulsionador da mudança, as empresas terão que fornecer ambientes de trabalho seguros que aumentem o fator de bem-estar e, por outro lado, a produtividade e a criatividade. Há muito que podemos aprender com este período para tornar o local de trabalho melhor e as nossas interações com ele mais eficazes."

Escritório

Fotografia por Nastuh Abootalebi em Unsplash

A WSP acredita que a "hotelização" do espaço de escritório continuará, com os locais de trabalho importando alguns dos confortos domésticos aos quais nos acostumamos. Isso pode significar dress codes mais relaxados, mas também uso de arquitetura e decoração estratégica para tornar os espaços mais confortáveis enquanto ajudam a criar sutilmente a distância entre as pessoas. «Precisamos de pensar em mobiliário e outras soluções de design para criar separação sem perder os benefícios da colaboração e espirito de equipa. Se os escritórios têm futuro, as pessoas precisam de se sentir seguras neles».

Estes princípios estendem-se por sua vez a outros tipos de ativos, como residencial, retalho e hotelaria. Estes espaços precisam de ser dotados de uma arquitetura inovadora e eficaz, cuja funcionalidade acrescida se irá traduzir num maior conforto e bem-estar das pessoas. A fasquia certamente subiu muito, e este standard que se alcançou – se calhar de forma inconsciente – veio alavancar obras de renovação, reconversão e reabilitação que têm que ter uma qualidade muito alta.

A sobrevivência destes ativos irá estar proximamente relacionada com a execução destas mudanças. Devido ao facto de qualidade percebida subir exponencialmente, torna-se um pouco como uma corrida contra o tempo no que toca à renovação destes espaços. O A+ não é mais uma característica de luxo ou representação de qualidade, mas um requisito quase obrigatório para o sucesso destes ativos imobiliários. E quem não abraçar esta mudança, irá sem dúvida incorrer em grandes dificuldades.