Planta do loteamento urbano em Águeda

Loteamento Urbano

Ficha Técnica do Projecto

Arquiteto Responsável: Helder Pereira Coelhoo
Arquitetos: Miguel Meira
Arquiteto Paisagístico: Miguel Meira
Função: Urbanístico / Habitacional
Localização: Águeda, Aveiro, Portugal
Cliente: Privado

O projeto em questão refere-se ao loteamento urbano de um terreno em Águeda – Portugal.

O terreno é esculpido numa vertente de pendente acentuada voltada a Sudeste e Sul, exposições convidativas à instalação de espaços verdes de recreio livre, e zonas de estadia e contemplação, especialmente atractivas de manhã e ao início da tarde.

Se por um lado os declives acentuados em determinadas áreas da intervenção são atrativos e proporcionadores de vistas amplas, por outro, são o principal problema identificado uma vez que, em certas circunstâncias, chega mesmo a limitar a utilização plena do espaço, quer público quer privado, e ainda revela algumas fragilidades no que toca à estabilização de taludes e proteção do solo em relação à erosão.

Assim, a intervenção neste espaço centra-se essencialmente na resolução dos declives pela introdução de socalcos nos terrenos destinados à utilização privada. Estes socalcos, sustentados por muros de suporte, proporcionam um jogo de volumes que se desdobram em diferentes estratos e podem proporcionar áreas de utilização diversa, introduzindo variabilidade, movimento e ritmo a um espaço que deixa de se conseguir apreender com um só olhar.

Na área protegida pela Reserva Ecológica Nacional, a morfologia do terreno desenha um sistema de socalcos e taludes de inclinação muito elevada. Nesta situação, a intervenção é muito minimalista e pouco intrusiva, prevendo apenas a estabilização dos taludes com vegetação arbustiva e a utilização dos socalcos como zonas de estadia e recreio passivo, através da criação de um acesso lateral – um caminho pavimentado com material permeável à água e ao ar (tipo terraway) que, alargando em determinadas zonas, permitirá não só a criação de um percurso mas também de áreas de encontro, permanência e contemplação da paisagem.

O projeto contempla ainda dois largos destinados à utilização coletiva por parte dos moradores. Um junto aos lugares de estacionamento e outro que acompanha a via de acesso aos lotes. Estes largos são definidos como espaços verdes de estadia e lazer – jardins públicos.

Aqui o projeto define áreas menos declivosas, revestidas com prado que poderá funcionar como um relvado, permitindo a utilização de recreio mais activo, como por exemplo jogos de bola. As mesmas áreas fazem fronteira com um murete de contenção à altura de 0,50m que proporciona a utilização como banco de estadia enquanto sustem um talude de vegetação arbustiva e arbórea, o que torna o espaço mais acolhedor e protegido.

O projeto procura satisfazer as necessidades da vida urbana e garantir o enquadramento da intervenção no território. Deste modo a vegetação desempenha um papel muito importante, sendo que o elenco florístico será composto de espécies autóctones e bem adaptadas às condições edafo-climáticas do terreno e às funções urbanas e/ou ecológicas.

Exemplos de espécies arbóreas:

  • Acer pseudoplatanus
  • Prunus lusitanica
  • Quercus robur
  • Quercus pyrenaica

Exemplos de espécies arbustivas:

  • Arbutus unedo
  • Crataegus monogyna
  • Cytisus sp.
  • Erica sp.
  • Myrtus communis
  • Viburnum tinus

A intervenção pretende acima de tudo dotar o loteamento de espaços dignos e adaptados às funções urbanas, com a criação de zonas de estadia e de recreio livre, e responder ao desafio da morfologia do terreno, tirando partido das características da paisagem local na construção da forma urbana.